quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

CONHECIMENTO METAFISÍCO








A Maçonaria também buscou inspiração e conhecimento em antigas filosofias orientais e ocidentais que passaram a fazer parte de seus estudos e rituais.

As primeiras incursões do conhecimento metafísico e esotérico chegaram à Eu­ropa ocidental, vindas do Oriente, du­rante os séculos 7 e 8, quando invasores islâmicos ocuparam parte da França e a península Ibérica. De 732 até o final do século 15, a Espanha foi um centro do co­nhecimento esotérico da sabedoria oriental, do Judaísmo, Islamismo e da filosofia clássica grega. Esses conhecimentos se propagaram por meio das viagens entre a Espanha e outras regiões da Europa.

O grande alquimista ocidental, Nicolas Flamel, teria supostamente aprendido muito de seus segredos num livro adquirido na Es­panha. Quando os reis católicos tomaram a Espanha, deu-se início à Inquisição Espanho­la, quando houve uma série de perseguições aos não católicos, como os judeus. Muitos dos perseguidos procuraram refúgio em ou­tros países e levaram consigo seus segredos. Nessa mesma época, com a tomada de Cons­tantinopla pêlos turcos, muitos se dirigiram à Europa levando consigo conhecimentos, bibliotecas, textos sobre hermetismo, neopla­tonismo, cabala, gnosticismo, alquimia, as­trologia e geometria sagrada.

A Renascença dava seus primeiros passos na Europa ocidental. Em muitas regiões da Itália surgiam academias de estudos; a geo­metria sagrada passou a envolver, além da arquitetura, a escultura e a pintura, com ar­tistas como Leonardo da Vinci e Botticelli.

Os ensinamentos das filosofias platônicas e neoplatônicas espalharam-se pela Europa, inclusive o célebre diálogo de Platão, o Timeu, o qual cita o Criador como sendo o Arquiteto do Universo.

O pensamento esotérico também ganhou popularidade na Inglaterra, onde se for­maram sociedades secretas. Nessa mesma época, foi criada a sociedade Rosa-Cruz, na Alemanha.

Com a propagação do protestantismo, a partir do século 17, muitas pessoas tiveram aces­so à Bíblia, e o interesse pêlos aspectos esoté­ricos de seus relatos aumentou. Um exemplo diz respeito à construção do Templo de Salomão. Isaac Newton era um que tinha grande interesse no tema e considerava Salomão um grande filósofo.

Embora a Maçonaria tenha origem nos canteiros de obras medievais, cerca­da com a rigidez religiosa da época, durante o Re­nascimento os construtores viveram imersos num novo mundo, inspirado do Cor-pus Hermeticum, no Pitago-rismo e em Platão.

O Renascimento passou a considerar o homem como centro do universo. Gran­des obras e pensadores do passado foram resgatados, traduzidos e estudados com profundidade. Todo esse conhecimento se refletiu na construção de palácios, igrejas, torres, jardins, en­genhos mecânicos e outras maravilhas ligadas à magia natural, além de experiên­cias artísticas, com origem na Academia dos Medíeis, dirigida por Marsílio Ficino, cuja influência se estendeu pêlos três séculos seguintes em toda a Europa.

O resgate e tradução de obras clássicas como Cor-pus Hermeticum ocorreu no mesmo período em que as lojas maçônicas cresciam. O Hermetismo é tema de abundantes estudos e livros maçônicos. Inumeráveis lo­jas maçônicas têm o nome de Hermes, da mesma for­ma que muitos de seus ritos e graus.

O Hermetismo consiste no estudo e na prática da evolução da consciên­cia humana até a consciência divina, dessa forma penetrando nos mais profundos mistérios da criação - prática conhecida no Oriente como iniciação ou iluminação.

Os escritos herméticos conhecidos são uma coleção de 18 obras, sendo que as principais são o Corpus Hermeticum e a Tábua de Esmeradas, atribuídas a Hermes Trismegistus (Hermes Três Vezes Grande). A obra contém aspectos teóricos e filosóficos desenvolvidos por Hermes na li­nha teosófica.

Além de Hermes, Pitágoras e a geometria também são referências habituais na Maçonaria. Ambas corren­tes de pensamento têm ori­gem na Grécia, Roma, Ale­xandria e antigo Egito. A loja maçónica era uma imagem visível da Loja Invisível, na qual deuses, sábios e reis for­mavam um âmbito sagrado.


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