quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

INFLUENCIA DO OCULTISMO NO ESOTERISMO MAÇÔNICO








O Simbolismo e o esoterismo maçônicos acham-se concentrados, em grande parte, na Iniciação e na Loja de Aprendiz. Exerceram e continuam exercendo extraordinária influencia nas instruções, na liturgia e na ritualística maçônicas.

A Reforma, no século XVI, pôs termo, na Inglaterra, á construção das grandes abadias e das portentosas catedrais, iniciando assim o declínio da Maçonaria Operativa. O estilo renascença, mais fácil e menos dispendioso que o estilo gótico, introduzindo naquele país no século XVII, acentuou a decadência do trabalhador de pedras, o Maçom Operativo e, em princípios do século XVII, as Lojas Operativas estavam praticamente moribundas.

Pressentindo a catástrofe para o Ofício, os operativos tentaram retardar, ao menos, a falência da caixa de socorros, que funcionava ao lado de toda Loja profissional, e que se ressentia da diminuição das contribuições. Permitiu-se, então, a entrada dos não profissionais, os Maçons Aceitos, os quais, contribuindo para a caixa de socorros, dela também se beneficiavam.

Os Maçons Aceitos terminaram por se constituírem a maioria, e as Lojas, com o paulatino desaparecimento da atividade profissional, transformaram-se em simples confrarias de mútuos socorros, realizando banquetes periódicos, principalmente por ocasião da recepção de novos membros.

Impunha-se uma reorganização e também metas muito mais amplas que as de socorrer irmãos de passagem, procurando-lhes trabalhos na localidade. As leis da Maçonaria Operativa distinguirem-se sempre pela preocupação que tiveram com relação aos bons costumes e moralidade dos profissionais.

E a Fraternidade dos Maçons Livres e Aceitos, como passou a ser chamada, procurou acentuar este aspecto da Ordem no sentido de ajudar a recuperação da sociedade inglesa da época, que atingira índices inauditos de corrupção e imoralidade, conseqüência de mais de dois séculos de lutas político-religiosas.

Desaparecida, porém a atividade profissional, esta motivação parecia insuficiente para garantir a sobrevivência da Fraternidade e menos ainda o seu desenvolvimento posterior.Nem mesmo a organização de um fundo de caridade para socorrer irmãos necessitados, afigurava-se capaz de evitar o desmoronamento final.

Todavia, a entrada de grande numero de aristocratas nas Lojas Maçônicas, que indiscutivelmente elevaram o nível intelectual da associação e talvez, em conseqüência do novo ambiente, a introdução do simbolismo nas instruções e a transformação da “recepção” dos operativos em “iniciação”, nos moldes das antigas sociedades de mistérios, forneceram às Lojas a motivação de que necessitavam. As reuniões tornaram-se cada vez mais interessantes e, por isto, menos espaçadas, e as Lojas Maçônicas, em sua nova estrutura, forma se multiplicando e se espalhando por toda a Grã-Bretanha e invadindo a Europa e o mundo. A boa companhia que nela se reunia, os finos banquetes aristocráticos que se seguiam ás recepções não foram estranhos ao sucesso que obtiveram.
Os rosacrucianos, cuja presença nas Lojas Maçônicas dos princípios do século XVIII pode ser constatada foram, com certeza, os responsáveis pelas alterações introduzidas no ritual e que, aos poucos, transformaram a “recepção” em “iniciação”.

Entretanto, ao mesmo tempo que organizavam a Iniciação simbólica, envolvendo-se num sistema de moralidade, inicialmente baseado no simbolismo das ferramentas dos talhadores de pedra, das figuras geométricas e arquitetônicas, ampliavam o alcance com elementos religiosos tirados da Bíblia e, posteriormente da Cabala, da Alquimia, do Hermetismo, etc., com os quais já estavam familiarizados. Estes novos elementos a enriqueciam e espiritualizam.

A Bíblia e a Cabala forneceram o mais poderoso contingente para o enriquecimento do simbolismo maçônico, e o Ocultismo abrangendo o conjunto dos sistemas filosóficos e das artes misteriosas derivadas dos conhecimentos dos antigos, deu também abundante contribuição.

As Ciências Ocultas estiveram em evidencia durante todo o século XVIII e os Maçons particularmente os do Continente, delas se mostraram apaixonados admiradores. Assim, a Magia, a Alquimia, a Astrologia, o magnetismo animal e outros, que tinham se expandindo durante a Idade Média, em que pesem as perseguições que lhes movera a Igreja, foram objeto dos mais acurados estudos por parte dos Maçons, e deixaram traços muito profundos no simbolismo e no esoterismo maçônicos.

Escritores e ritualistas foram buscar na Antiguidade, práticas e doutrinas iniciáticas já utilizadas no Egito, na Grécia, na Índia e em outras nações. A iniciação maçônica resultou em muitos pontos, do sincretismo dos vários mistérios e da recepção dos operativos, tendo sido objeto das mais diversas interpretações.

Muitos a examinaram à luz das Ciências Ocultas, outros, mais tarde, a analisaram através das doutrinas da Teosofia e até do Yoga. E, paradoxalmente, escritores racionalistas tentaram interpretá-los através de suas concepções filosóficas. Por isto os símbolos maçônicos encontrados numa Loja são oriundos das mais diversas procedências.

As colunas arquitetônicas, as figuras geométricas, as ferramentas profissionais, revelam a sua origem operativa ou profissional. O pavimento de mosaico, as velas, o incenso, as espadas e outros são elementos de origem mágica. A Câmara das Reflexões, os Quatro Elementos – Terra, Água, Ar e Fogo, os Três Princípios, procedem do Hermetismo. A Numerologia forneceu o esoterismo dos números: o numero três, por exemplo, para só citar este, fornece ao Aprendiz a idade, a marcha, a bateria, o toque e tudo aquilo que se refere ao Primeiro Grau. A Cabala deu-nos o Delta Sagrado, o Tetragrama, o Selo de Salomão, além de todas as palavras sagradas, de passe e outras. A Astrologia está presente na abóbada celeste, nas doze colunas zodiacais, etc. A Quiromancia influiu nos toques, e assim por diante. Como se pode ver, a Maçonaria é baseada em um conjunto de ciências que lhe emprestam um aspecto singular e único.

Não existem segredos na Maçonaria para aqueles que se propõem a estudar, mas, para os que com isto não se importam, liturgia e ritualismo maçônicos não tem sentido. A maior parte só vê a aparência e logo se desilude, desconhecendo a parte oculta que é reservada aos estudiosos e que os aproxima cada vez mais da Iniciação Real. 



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