quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

UMA MAÇONARIA LIVRE E ATIVA




Esta é uma Pequena História, porque seria impossível contar a história, de uma instituição como a Maçonaria, nos poucos minutos que nós dispomos e trata-se de uma História Livre, porque reunimos, aqui, o resultado de algum estudo e pesquisa com um pouco de imaginação nossa.

Especula-se que a Maçonaria, como instituição que congrega homens de boa vontade, solidários e transformadores da sociedade, existe desde tempos imemoriais. Quando o homem saia da sua caverna para olhar o firmamento e começava a especular sobre sua origem e o que lhe transcendia o corpo físico, aí estava presente a força que regeu a Maçonaria em todos os tempos – compreender a história do homem e seu papel na terra e estabelecer metas de conduta e de convivência.

A Maçonaria Antiga vem dos tempos de Noé, segundo algumas especulações, ou desde Moisés, segundo outras e, seguramente, existiu entre os caldeus, continuou existindo durante o predomínio da Civilização Egípcia, chegou ao Século IX  quando artesãos se associaram em guildas para defender os direitos da classe, formando a Maçonaria Operativa e no Século XVIII consolidou-se a Maçonaria Moderna, com a fundação da Grande Loja de Londres.
Da Maçonaria Antiga não se conhece a história, apenas lendas e especulações. Ela teria começado quando o homem, surgido da transformação darwiniana, contemplou o sol e o firmamento com seus milhões de astros e se perguntou se ele estava só naquela imensidão do universo e quem havia criado tudo aquilo. Enunciou, nesse momento, o primeiro princípio maçônico - a crença na existência de um Ser Supremo, o Grande Arquiteto do Universo. Mais tarde, conforme nos ensina a Bíblia, Deus avisou Noé que uma grande inundação chegaria e que ele preparasse um barco para salvar sua família, mais alguns homens e mulheres justos e um casal de cada espécie de animais existente. Aí nasceu a primeira irmandade e podemos, então, considerar a Arca de Noé como a Primeira Loja Maçônica.

Esta fase da Maçonaria acompanhou o homem no seu processo de civilização, através dos tempos.

A Maçonaria Operativa, que, segundo alguns registros data do Século IX, era uma união de construtores, preocupados com a regulamentação do exercício da profissão, com o comportamento social dos mestres, companheiros e aprendizes e em especial com a assistência social aos associados das guildas e com os segredos da profissão.

Dentro do processo histórico, em algum momento entre os Séculos XVI e XVIII, as construções deixaram de ser abundantes, o número de maçons diminuía, as guildas foram se enfraquecendo e necessitaram de novos membros para que os recursos fossem suficientes para a assistência a todos os seus associados. Começaram a ser aceitos associados que não eram maçons de profissão - eram os chamados maçons aceitos. Nas lojas coexistiram membros operativos e outros, os aceitos, ou maçons especulativos. O período de transição entre a Maçonaria Operativa e Especulativa foi longo. Cerca de dois séculos foi o tempo necessário para que os Maçons Especulativos se tornassem maioria nas lojas e assumissem a sua direção.

Essa transição foi lenta e dolorosa. No princípio os maçons aceitos eram antigos Templários, Cátaros, Alquimistas, Rosacruzes, Hermetistas, Gnósticos e depois vieram os intelectuais, filósofos, padres, burgueses, enfim todos os homens que buscavam ardentemente uma verdade. Essa busca só era possível no ambiente livre da intolerância, que começava a reinar na Europa, que era a Maçonaria. Durante o processo de transformação da Maçonaria Operativa para Especulativa, houve a criação da Associação dos Operários - os Companheiros ou a Compagnonnage, que levou à ruptura entre os Franco-Maçons e Companheiros. A Maçonaria abrigava os especulativos e a Compagnonnage, os operários, os artesãos, os manuais.

A transição e a cisão entre os operativos e especulativos, merece um estudo à parte, tão longo e cheio de ensinamentos foi este processo, quando chegou a ser colocada em dúvida a própria utilidade futura da maçonaria na sociedade.

O processo de transição culminou com a criação da Grande Loja de Londres em 1717, quando se consolidou a Maçonaria Especulativa.

A Maçonaria Especulativa caracterizava-se por serem, seus membros, observadores sagazes, com capacidade para perceberem os princípios morais subjacentes aos símbolos e aplicá-los na construção de relacionamentos humanos confiáveis, sinceros e leais e, através do estudo e da observação, tentar aprender a melhor forma de construir uma harmoniosa e perfeita fraternidade. O  maior trabalho de um Mestre Maçom Especulativo é aplicar, de maneira prática e correta, a sabedoria moral que se espera tenha adquirido durante sua vida maçônica.

Os Maçons Operativos eram individualistas e os especulativos são altruístas e filantropos. A Maçonaria Operativa era uma fraternidade corporativista, ocupava-se do bem estar e dos interesses de seus membros. A Maçonaria Especulativa amplia os horizontes de sua fraternidade, estendendo-a a todos os homens.

Da Maçonaria Antiga conhecemos as lendas e imaginamos sua caminhada longa e gloriosa como longa e gloriosa foi a evolução do homem da caverna, passando pela invenção da roda e chegando aos tempos da cibernética, da astronáutica e da clonagem de seres vivos.

Da Maçonaria Operativa conhecemos partes da sua história e conhecemos os frutos do conhecimento e da capacidade de realização dos mestres maçons, representados pelas monumentais catedrais góticas e românicas.

Da Maçonaria Especulativa conhecemos o papel importante que desempenhou nos grandes movimentos de transformação da sociedade, como Revolução Francesa, Independência Americana e Libertação dos povos Latino-americanos, entre muitos outros momentos de grande significação para a humanidade.

E nos tempos atuais, qual é o papel que a Maçonaria desempenha? Qual é a importância atual da Maçonaria para a Sociedade?

A Maçonaria, tal como a vemos hoje, em nosso meio, não aparece, perante a sociedade, com propósitos definidos. Uma instituição sem propósitos definidos, tende a desaparecer ou, pelo menos, a perder sua relevância na sociedade. Estaremos vivendo uma nova fase da história da Maçonaria, com o declínio da Maçonaria Especulativa, como os séculos XVII e XVIII presenciaram o declínio da Maçonaria Operativa?

Deixamos de ser Operativos, pois não defendemos interesses de classes; não somos Especulativos pois não formulamos questões nem temos soluções filosóficas para as incertezas da vida moderna, nem somos ativos para tornar a Maçonaria agente da formação da sociedade justa e perfeita que almejamos.

Seremos nós, os Maçons atuais, os responsáveis pelo fim da Maçonaria como instituição transformadora da Sociedade?

Se não reagirmos, se a Maçonaria continuar, mesmo no momento crítico que atravessamos, vivendo de recordações de um passado brilhante; se a Maçonaria continuar de mãos vazias, vazias de ideais, vazias de ação, poderemos antever um final triste para esta pequena história livre da Maçonaria.

Porém, se deixarmos de lembrar saudosos o passado brilhante e passarmos a procurar viver um presente brilhante, empenhando-nos na luta de transformação desta Sociedade, onde a ética e a moral deram lugar à corrupção generalizada dos costumes, à desfaçatez e à mentira, e a falta de entendimento entre os povos trouxe o terrorismo, que a todos amedronta, em lugar da Paz, aí então estaremos dando continuidade à história milenar da Maçonaria e estaremos iniciando a 4ª fase da Maçonaria – a da Maçonaria Ativa.

Se a transição da Maçonaria Operativa para a Especulativa levou longos anos, talvez a transição da Especulativa para a Ativa possa ser feita num tempo menor.

A voz oficial da Instituição defende  que a Maçonaria só tem deveres de preservação da cultura universalista do homem, entendendo-se por cultura universalista o amadurecimento interior de cada um de nós, conseguido voluntariamente, no silêncio do estudo e da meditação. O crescimento interior é um processo gradual, pessoal, voluntário, solitário e intransferível.  Seria esse crescimento individual do Homem-Maçom que, por difusão na Sociedade, faria evoluir essa Sociedade, tornando-a Justa e Perfeita.

No entanto, no passado, são muitos os registros de diversos momentos na História da Humanidade e do Brasil, em que a Maçonaria, como Instituição, desempenhou papel importante e decisivo para a transformação da Sociedade.

Não será o momento, agora, de a Maçonaria voltar a atuar como Instituição, com o peso de sua tradição gloriosa, de vários séculos, para combater a tirania, a ignorância, os preconceitos, os erros, a prepotência, o ódio, a humilhação que predominam em nossa caótica Organização Social, substituindo-os pela liberdade, pela igualdade, pela fraternidade, pelo conhecimento, pela  solidariedade e pelo amor?

Não será o momento, agora, de todas as Lojas Maçônicas se unirem, como Instituição, para organizarem uma Escola, onde, em larga escala, pela difusão dos princípios maçônicos, estariam sendo formados verdadeiros homens-maçons, colaborando de forma acentuada para a transformação da Sociedade?

Não será o momento, agora, de todas as Lojas Maçônicas do Brasil se unirem, como Instituição, em uma permanente campanha pela moralização nos costumes políticos e na administração pública, objetivando diminuir a corrupção a nível tolerável?

Não será o momento, agora, de todas as Lojas Maçônicas do Mundo – pois a Maçonaria é uma Instituição Universal, com Oficinas em todos os recantos da Terra – se unirem, como Instituição, para promoverem o entendimento entre os povos, única forma de acabar com a escalada da insensatez humana, que resultou nos atentados de 11 de setembro em Nova Iorque e Washington e nos constantes atos de terrorismo, seja terrorismo de Estados ou de grupos, praticados em diversas partes do Universo e culminou com esta absurda Guerra dos EUA conta o Iraque?

Aqui cabe o registro do lamentável silêncio da Maçonaria a respeito deste acontecimento, que é um marco divisor na História Universal e que assinala a transgressão de todas as regras do Direito Internacional  e o aniquilamento da ONU, pelos EUA , que dispõe da hegemonia total sobre todos os povos da Terra.  
 
Aceito a Maçonaria como facilitadora do encontro de pessoas no desenvolvimento de relacionamentos interpessoais e promotora do amadurecimento individual de cada um de nós, pela convivência, pela solidariedade, pelo estudo, pela meditação. Mas acredito que isto é pouco, muito pouco, se considerarmos o potencial de transformação e de aperfeiçoamento da Sociedade existente em uma Instituição organizada em todos os recantos da Terra, congregando pessoas livres, de bons costumes e de boa vontade, que almejam tornar justa e perfeita a humanidade. 

Tenho certeza que as luzes dos Irmãos e Irmãs experientes, que já decifraram os segredos da Sublime Ordem, iluminarão o caminho da Maçonaria para que, em breve tempo, uma Maçonaria Ativa possa desempenhar o relevante papel histórico de agente transformador da humanidade, na criação de uma sociedade justa e perfeita onde todos sejamos felizes, para a Glória do Grande Arquiteto do Universo.    

 

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